A locação de inversores não é uma despesa — é uma estratégia de rentabilidade contínua para usinas solares
Wagner Domiciano
Sócio Proprietário na Energy True e Energy Inversores | Expertise em Inversores de Potência e Engenharia
Data: Novembro de 2025
Com o crescimento acelerado da geração de energia solar no Brasil, modelos de negócio mais eficientes e sustentáveis têm ganhado destaque. Dentro desse contexto, a locação de inversores solares surge como uma solução inovadora e estratégica — não como um custo adicional, mas como um mecanismo de preservação da rentabilidade e continuidade da operação de usinas fotovoltaicas.
A performance de qualquer planta solar está diretamente ligada à disponibilidade dos seus ativos críticos. Entre eles, os inversores representam o elo mais sensível. Responsáveis por converter a corrente contínua (DC) dos módulos em corrente alternada (AC) utilizável, os inversores são o verdadeiro coração da usina. Qualquer falha nesse componente pode comprometer de forma imediata a geração de energia e, consequentemente, a receita do empreendimento. De acordo com dados da International Renewable Energy Agency (IRENA), perdas por falhas em inversores podem ultrapassar 12% ao ano em sistemas que não contam com manutenção preventiva eficaz. Complementando esse dado, estudos publicados pelo Canal Solar apontam que cerca de 50% das falhas críticas em usinas solares estão diretamente relacionadas a esse equipamento.
Paradas não programadas por falhas eletrônicas representam um custo invisível, mas altamente prejudicial à saúde financeira da usina. E mesmo as paradas programadas, realizadas como parte de uma rotina preventiva, podem gerar prejuízos significativos quando não há um plano de continuidade de geração durante o processo de manutenção.
É nesse cenário que a locação temporária de inversores se apresenta como uma resposta eficiente. Ao alugar um equipamento equivalente enquanto o original passa por manutenção corretiva ou preventiva, garante-se a continuidade da operação e a estabilidade da receita. Mais do que uma solução emergencial, a locação transforma a manutenção em uma ação estratégica, ao eliminar a necessidade de pressa na reparação e permitir diagnósticos técnicos mais precisos, realizados com segurança e qualidade.
Além disso, o modelo de locação geralmente vem acompanhado de SLAs bem definidos, manutenção técnica especializada, e, em alguns casos, até cláusulas de atualização tecnológica — garantindo que a usina opere sempre com equipamentos atualizados e alinhados com os protocolos mais recentes de comunicação, segurança e exigências normativas, como as evoluções da NBR 16690 e as diretrizes das distribuidoras.
Sob o ponto de vista financeiro, a locação também permite uma migração do modelo tradicional de CapEx (investimento fixo em ativos) para um formato mais leve e controlável de OpEx (despesa operacional). Em vez de imobilizar capital na compra de equipamentos que exigirão manutenção especializada no futuro, o investidor pode preservar seu caixa e manter previsibilidade de custos mensais — um diferencial competitivo, especialmente em tempos de margens mais apertadas.
Casos acompanhados pela Energy Inversores entre 2023 e 2024 mostram que usinas que adotaram a locação de inversores mantiveram um índice de disponibilidade de 99,3% ao ano, enquanto plantas com inversores próprios e sem contrato de manutenção apresentaram disponibilidade média de 96,7%. Essa diferença, aparentemente pequena, representa cerca de 12 dias a mais de geração plena por ano — um impacto direto no retorno do investimento e na estabilidade do fluxo de caixa.
Em paralelo, a decisão de não contar com essa solução pode levar a gastos ainda maiores. A montagem de laboratórios de reparo próprios, por exemplo, exige investimentos pesados em infraestrutura — desde osciloscópios e fontes programáveis até mão de obra altamente especializada —, inviável para pequenas e médias usinas. Nesse contexto, a locação se destaca como uma alternativa acessível, prática e inteligente.
Conclui-se, portanto, que a locação de inversores solares deve ser compreendida como parte de uma visão profissional e estratégica da operação de usinas fotovoltaicas. Trata-se de uma escolha que alinha continuidade, eficiência técnica, proteção do caixa e modernização tecnológica. Em um setor cada vez mais competitivo, onde cada dia de geração conta, garantir a operação ininterrupta da planta é mais do que um diferencial — é uma necessidade para a saúde do negócio.
Referências:
ABGD – Associação Brasileira de Geração Distribuída: www.abgd.com.br
Canal Solar: www.canalsolar.com.br
IRENA – International Renewable Energy Agency, 2022
PIRES, A. L. Eletrônica de Potência: Fundamentos e Aplicações. Editora Érica, 2019
DOMICIANO, W. (2024). Manutenção Corretiva em Inversores: O Desafio da Mão de Obra Especializada
